Setembro Verde – MÊS DE PREVENÇÃO DO CÂNCER DO INTESTINO GROSSO

Setembro Verde – MÊS DE PREVENÇÃO DO CÂNCER DO INTESTINO GROSSO.  

Campanha Setembro Verde da Sociedade Brasileira de Coloproctologia  tem o objetivo de  alertar e conscientizar a população sobre a prevenção do câncer do intestino grosso.

A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) é que ocorreram  36.360 casos novos de câncer do intestino grosso no Brasil em 2018. Um aumento de 6% em relação ao índice anterior. O câncer do intestino grosso é o segundo  tipo de tumor mais frequente em homens e mulheres na região sudeste. Só no estado do Rio de Janeiro serão  4690 casos, sendo 2580 na capital. A taxa de incidência na cidade do Rio de Janeiro é muito alta ( > 34 casos por 100.000 habitantes).

As pessoas com alto risco de desenvolverem câncer do intestino grosso tem : idade maior do que 45 anos, história pessoal ou familiar de câncer ou pólipo do intestino, doença inflamatória intestinal de longa duração (Retocolite ou Doença de Crohn), diagnóstico de polipose adenomatosa familiar, Síndrome de Lynch, história pessoal ou familiar de câncer de mama e  hábitos de risco ( Alimentação pobre em fibras, rica em carne vermelha e alimentos processados\ consumo excessivo de álcool , tabagismo e sedentarismo ).

A videocolonoscopia é o melhor exame para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer do intestino grosso, porque  a remoção dos pólipos do intestino ocorre antes deles tornarem cânceres.

POLIPOSE ASSOCIADA À MUTAÇÃO DO GENE MUTYH (PAM)

 

 A polipose adenomatosa familiar (FAP) é uma doença autossômica dominante caracterizada pelo desenvolvimento de numerosos pólipos adenomatosos e um elevado risco de desenvolver câncer colorretal. Já a  polipose associada à mutação bialélica do gene MUTYH (Síndrome PAM), descrita em 2002,  é de transmissão autossômica recessiva. Os mecanismos carcinogênicos são diferentes da PAF, PAFa e da Síndrome de Lynch. O gene MUTYH é um codificador da proteína  DNA-glicosilase e esta envolvido na reparação dos danos oxidativos do DNA. Este gene está localizado no braço curto do cromossomo 1, entre as posições 34,3 e 32,1. A presença de 10 a 15 adenomas tem sido considerado como o limiar para a pesquisa de mutações germinais no gene MYH. As duas mutações de ponto, p.Tyr179Cys e p.Gly396Asp  ( Hotspots 7 e 13) ocorridas por transversões G:C para T:A são responsáveis por aproximadamente 80% dos casos de PAM .

Estão descritos pouco mais de 500 casos de PAM e estima-se que esta doença seja responsável por 21-30% dos casos com fenótipo de PAF e 10-47% dos casos de PAFa e com estudo negativo para o gene APC , 30 a 50% dos casos de adenomas múltiplos do cólon e 1 a 3% de todos os casos de CCR. São características dessa síndrome o diagnóstico de polipos menos numerosos ( 3 a 100 adenomas ou pólipos hiperplasicos ou serrilhado) e o desenvolvimento de CCR 10 anos mais tarde (48 anos) do que o encontrado em pacientes com mutações no gene APC (PAF-35 anos) e 14 anos mais cedo do que  nos pacientes com câncer colorretal esporádico (62 anos) Leia mais

COLONOSCOPIA – UM EXAME QUE PODE PREVENIR O CÂNCER DO INTESTINO GROSSO  

 

A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) é que ocorreram 36.000 casos novos de câncer do intestino grosso no Brasil em 2018. O câncer do cólon e reto é o segundo mais frequente na região sudeste tanto nos homens quanto nas mulheres ( 19.860 casos). Só no Estado do Rio de Janeiro serão 4690 casos, sendo 2580 na capital.  A taxa de incidência na cidade do Rio de Janeiro é muito alta ( > 34 casos por 100.000 habitantes).

A história natural desse tipo de câncer propicia condições ideais não só para a prevenção como também para o diagnóstico precoce. Quando a doença é diagnosticada em estágios iniciais o prognóstico é muito bom.

O exame de colonoscopia é utilizado principalmente para a investigação do sangramento retal , das diarreias e para o diagnóstico dos diversos tipos de colites. Entretanto, a sua maior utilização atualmente é para o rastreamento e o diagnóstico precoce do câncer do intestino grosso em pessoas assintomáticas, quando é realizado a detecção e remoção dos pólipos colorretais adenomatosos antes deles tornarem cânceres. Esta estratégia é eficaz em prevenir ou tratar precocemente o câncer colorretal  e pode diminuir a incidência e a mortalidade por esse tipo de câncer.

A vigilância e o rastreamento são recomendados para as pessoas que tem maior risco de desenvolver câncer do cólon ou do reto. São indivíduos que tem uma ou mais das seguintes condições : idade maior do que 50 anos; história pessoal ou familiar de câncer ou pólipo do intestino grosso; doença inflamatória intestinal de longa duração (retocolite ulcerativa ou doença de Crohn); diagnóstico de polipose adenomatosa familiar; diagnóstico de câncer hereditário não polipoide (Síndrome de Lynch); historia pessoal  de câncer de mama, endométrio, e ovário  e que tenham hábito alimentar de risco ( dieta pobre em fibras, rica em gordura animal e ingestão de carne vermelha ). Obesidade, tabagismo, uso excessivo de bebidas alcoólicas e sedentarismo também são fatores de risco.

Os experientes profissionais do Grupo Cirurgia Colorretal terão como prioridade a orientação e o esclarecimento dos clientes sobre os benefícios, periodicidade, tipo de preparo do intestino, tipo de sedação e eventuais riscos individuais desse importante exame de prevenção do câncer do intestino grosso. A internação do tipo “Day Clinic” propicia um exame com mais conforto e segurança. Este exame pode salvar muitas vidas, já que a detecção do câncer nos estágios iniciais quando associado a um tratamento correto aumentam substancialmente a possibilidade de cura definitiva do câncer.

Cirurgia Robótica para o Tratamento do Câncer do Reto distal.

(Four-arm Single Docking Full Robotic Surgery for Low Rectal Cancer ).

 O consenso geral ainda  é que a maioria dos adenocarcinomas do reto localizado na sua  porção distal (< 5 cm da borda anal) seja tratado por ressecção abdominoperineal do reto (RAP)(1). Entretanto, com o melhor conhecimento da importância não só da margem circunferencial de ressecção como também da excisão total do mesorreto (ETM)(2), acrescido atualmente  do emprego rotineiro da quimiorradioterapia  neoadjuvante (QRT)(3)  difundiram-se novas técnicas cirúrgicas com preservação esfincteriana. A individualização da melhor operação que é facilitada pelo exame de ressonância magnética pelvica (RM)(4) foi recentemente  preconizado por Rullier e cols.(5) que  propuseram uma  classificação dividida em 4 tipos de tumores (Supraanal, juxtaanal, Intraanal e transanal) e , respectivamente, 4 tipos de operações( Ressecção Anterior Ultra-Baixa, Ressecção Interesfinctérica Parcial, RI Total e RAP). A personalização da ressecção abdominoperineal do reto cilíndrica também foi recentemente proposta por Han e cols (6)que selecionaram  a extensão da cirurgia de acordo com a invasão dos musculos elevadores do anus

Estudos randomizados( CLASSIC(7), COREAN(8) , COLOR II(9)) e não randomizados (10-12)  confirmaram os benéficios da cirurgia videolaparoscópica no tratamento do câncer do reto. Entretanto, devido a longa curva de aprendizado e ao elevado índice de conversão o impacto mundial do uso dessa tecnologia ainda é pequeno, principalmente, nos pacientes obesos e do sexo masculino. É estimado que somente 10 % dos casos de câncer retal sejam atualmente tratados por videolaparoscopia. O uso da plantaforma robótica, como acesso minimamente invasivo, vem  ganhando muito interesse na área da cirurgia do câncer do reto em todo o mundo(13-14). O sistema robótico melhora a visualização, exposição e dissecção das estruturas nobres    no estreito espaço como é a cavidade pélvica.

Apresentamos  os passos técnicos completos para a realização  da ressecção anterior do reto ultra-baixa com anastomose coloanal por duplo grampeamento por via robótica, e, também apresentamos a  técnica robótica para ressecção interesfinctérica  com anastomose coloanal manual e a  técnica robótica para ressecção abdominoperineal do reto extraelevadora ou cilíndrica na posição de litotomia modificada. Leia mais